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 Uma realidade ilusória, que surgiu inesperadamente e aos poucos foi se dissipando, como brumas sob uma lagoa que se espalhava com o vento. Via-se como uma embarcação que sumia lentamente no horizonte sem fim do oceano. Não pensei que um dia aconteceria, abriu um baú com fechadura e correntes enferrujadas. Não sei se o encontrado dentro dele era suficientemente compensador para o esforço que foi para abrir, mas antes que pudesse reluzir o tesouro do baú, novamente ele foi trancafiado. E a chave, foi mais uma vez lançada ao mar, porém agora escondida entre pedras dificultando ainda mais uma próxima tentativa de abertura.
Escrito por fabricia.asouza às 01h52
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Sabe quando em determinadas situações, principalmente quando não era para ser dessa forma, na qual não se consegue mostrar-se do jeito que realmente é. De modo que todo seu potencial parecesse se encontrar restrito. Tentando de todas as formas constituir-se como ser e fazer-se ser reconhecido como tal, mas tudo escapa, e continua seguindo erroneamente.
Se vê diante do olhar de alguém que te inibe de tal forma, que leva a privar suas atitudes espontâneas, tornando-se tão limitado que não se sabe nem como agir.
Até mesmo sua voz trava, e o máximo que se consegue alcançar é uma troca de palavras vazias dentro de diálogos evasivos.
Sente-se ocupando um espaço que não lhe pertence. Como, se estivesse em meio a um gigantesco quebra-cabeça, cujo qual só falta uma peça para se completar, e você sendo uma peça bem menor que o espaço.
Esta tentativa primordial ao encontro de uma linguagem fascinante, segundo Sartre, é sempre um caminho às cegas, pois somos orientados somente pela forma abstrata e vazia de nossa objetividade para o outro. Não podendo sequer conceber os efeitos que terão nossos próprios gestos e atitudes, uma vez que é impossível saber realmente o que se consegue exprimir para o outro. A menos que fosse possível ler os pensamentos alheios.
Escrito por fabricia.asouza às 10h16
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Pensar, pensar e pensar... Às vezes é um castigo ser dotado da racionalidade. Volta e meia me percebo conflituosamente inerte em meus pensamentos perguntando se tudo realmente vale a pena. Que sentido pode haver em acordar todos os dias sair às pressas para o trabalho, cumprir com todos os deveres diários, para que? Se eu tomar outra direção ainda estarei indo ao encontro do mesmo destino. Vale a pena valorizar pequenas coisas que proporcionarão poucos e até mesmo raros momentos de alegria, pessoas que passam pela nossa vida e que em poucos dias não passarão mais do que remotas lembranças?
Oh angústia cruel e incessante que toma conta do meu ser, às vezes percebo-te maior que eu. Me corrói esse desalento desesperador, mas sei que somente eu, apenas eu posso mudar tudo isso. Vontade não me falta de começar tudo novamente, no entanto, tenho a sensação de que sempre farei tudo errado do mesmo jeito, fazendo-me retomar a pergunta: tudo isso vale mesmo a pena?
Esse mármore gélido, que muitas vezes faço perceberem-me, não passa do mais frágil cristal que necessita de ser protegido até mesmo de uma brisa.
Angústia amiga e companheira, se faz presente nas horas mais incertas onde eu mais preciso de alguém. A sua presença me faz crescer, faz querer encontrar um sentido, mesmo não encontrando.
Escrito por fabricia.asouza às 13h32
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Quem Sou?
Existem certas questões a nosso respeito, que eram para ser simples de se responder, no entanto, elas tornam-se obstáculos quase que insuperáveis. Perguntas tais como. Quem sou eu? Como sou? Que eu quero? São perguntas que ninguém melhor que nós mesmos poderíamos responder, mas ao contrário do que se pode esperar, nunca somos capazes de respondê-las com precisão.
Então, quem sou? Talvez um misto de tudo que me foi passado, uma herança genética dos meus pais, ou mesmo um pouco de tudo que se é esperado dentro das normas dos padrões sociais.
Muitas vezes, me vejo como sendo o que se espera de uma pessoa, porém, acredito que para alguns, eu posso até mesmo ser decepcionante, pois é praticamente impossível ser perfeito aos olhos de todos e como o ser humano só é capaz de se ver por meio do outro, sou um ser incompleto movido pelo desejo, numa busca constante pelo o que é faltoso.
Desejo este, muitas vezes reprimido, para que se possa manter o convívio com o outro, uma vez que, fundamentamos a nossa existência na e através da relação com o outro. E é nessa estrutura de trocas que leva-nos a fundar a nossa própria identidade.
Desse modo, acredito que ainda não sou, mas a cada dia procuro ser, e consolidar, assim, a minha existência.
Escrito por fabricia.asouza às 13h29
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Catarse
Conceito que primeiramente foi teorizado por Aristóteles, como sendo a purificação das almas por meio da descarga emocional provocada por um drama.
Por volta do final do século XIX , com base na observação e análise de casos individuais que alguns médicos psiquiatras e neurologistas tratavam os pacientes com doenças mentais, surge a Psicologia Clínica. Esta técnica foi desenvolvida por Freud, médico, discípulo de Breuer, com a utilização da hipnose como método de cura de tais pacientes.
De acordo com a teoria de Breuer, as doenças mentais eram provenientes de conflitos que estariam localizados na mente da pessoa, e não necessariamente originárias de problemas biológicos. Ele acreditava que por meio da hipnose a pessoa seria capaz de driblar censuras que a impediriam de lembrar certos fatos traumáticos, dessa forma melhoraria sua idéia acerca de tais, ou mesmo possibitaria a vivenciar experiências.
Freud incorporou e melhor descreveu as teorias de seu mentor, nomeando esse estado como catarse. Ele discordava quanto à eficiência da hipnose, e em contrapartida desenvolveu a técnica da livre associação. Daí o nascimento da Psicologia Clínica, que trouxe a cura pela palavra.
Falar, expressar, desabafar, ajuda a não somatizar, ou seja, não manifestar no corpo, em forma de doença, as descargas emocionais oriundas de algum conflito psíquico. Assim, quem sabe eu consiga livrar-me de minhas reminicências, através da cura pela palavra...
Escrito por fabricia.asouza às 13h19
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